Uvas brancas também produzem grandes vinhos – Parte 2

O assunto é polêmico com certeza, mas as uvas brancas são incríveis e podem fazer vinhos frescos, com excelente acidez para combinar com pratos mais gastronômicos, que podem ser tomados bem gelados, sozinhos ou acompanhados.

Brancos bem-estruturados

Outro tipo bem conhecido dos apreciadores de vinhos brancos são os vinhos de uvas mais potentes, com grande intensidade aromática e ideais para harmonizar com comidas mais temperadas. Eles são mais ricos porque possuem aromas amanteigados, mel, frutas tropicais, pêssego, nectarina, abacaxi e quando passam em madeira podem adquirir toques de carvalho e baunilha.

São vinhos cheios, encorpados, ousados, alegres, sensuais e muito saborosos. O paladar será tomado por sabores ricos e cremosos. A maioria dos vinhos brancos mais estruturados são oriundos de países do Novo Mundo, que são mais quentes e ensolarados, por isso, geralmente possuem mais álcool e a nota de acidez é mais marcante e traz um equilíbrio ao conjunto quando as vinhas estão plantadas em regiões melhores.

No entanto, certos locais do Velho Mundo possuem também qualidade para produzir excelentes vinhos brancos, como é o caso do norte de Rhône, em Languedoc-Roussilon (França) e em Rioja central (Espanha). As cepas mais conhecidas com essas características são a chardonnay, a viognier, a rioja branca, a marsanne e a rhône branca.

A chardonnay tem origem na Borgonha, na França. Seus terroirs mais famosos são na própria Borgonha, em Chablis; na América do Sul; nos EUA, na Califórnia e no Oregon; e na Austrália. Vinho no estilo francês tem nuances de minerais, pêra, maçã, lichia, baunilha e manteiga. Vinho no estilo do Novo Mundo possui toques de abacaxi, maracujá, pêssego, melão e mel.

A uva chardonnay tem uma cor amarelo dourado vibrante e sensual

A viognier tem origem na Croácia, foi levada para Rhône, na França durante o Império Romano. Seus terroirs mais famosos são na França (Rhône e Languedoc-Roussilon), Austrália, EUA, Itália, África do Sul, Argentina e Chile. Tem como aromas e sabores dominantes tangerina, pêssego, manga, damasco, mel e flores (rosa, jasmim e violeta).

A marsanne é muito cultivada no Vale de Rhône, na França, e na Austrália. Os vinhos são bem encorpados, com baixa acidez e muito caráter com sabores de marzipã e amêndoa. Muitas vezes é mesclada com a rousanne e encontrada no sul de Rhône.

A Wine Lovers, tem em seu portfólio diversas opções para você experimentar. Conheça alguns aqui:

O Finca Altorfer Chardonnay Premium, de Mendonza (Argentina), possui 100% chardonnay. Feito com fermentação controlada a temperatura de 15 a 21o C, em tanques de aço inox. Tem seu envelhecimento de 85% das uvas em tanques de aço inox e 15% em barris de carvalho francês e americano por 3 meses. De cor amarela com tons esverdeados. Aromas de abacaxi, pêssego e maracujá. Na boca é frutado, complexo com notas de madeira, acidez equilibrada e muito elegante. É perfeito para welcome drink, com saladas e peixes.

O Tricky Rabbit Chardonnay/Viognier, do Vale de Maule (Chile), possui 88% chardonnay e 12% viognier. Produzido com uvas prensadas para extrair o suco antes da fermentação a frio e protegido contra a oxidação. Fermentado a temperatura entre 14 e 18o C em tanques de aço inox. Com estabilização a frio também. Possui no nariz notas de frutas cítricas, damascos, nozes e amêndoas, com toques de ervas picantes. Na boca é volumoso com sabor de manteiga e muita mineralidade, com notas de melão, nozes e boa persistência. Ideal para aperitivos, pratos frios, queijos curados, massas e carnes brancas.

Brancos doces e de sobremesa

Essa categoria pode ser dividida em vinhos para aperitivos que são mais leves e em alguns casos harmonizam com a refeição que vem após ou mais concentrados que servem melhor por ser mais doces e licorosos. Os aromas podem ser remetidos ao mel, manteiga, pêssego, torta de maçã e especiarias.

Os vinhos doces precisam ter uma boa acidez para não se tornar enjoativos devido à alta concentração de açúcar. As uvas brancas mais utilizadas são a muscat, riesling, malvasia, inzolia, grillo e catarratto.

A muscat nasce bem no sul da França, na Alsácia; Austrália; Itália, onde é conhecida como moscato; e na Espanha em que é chamada de muscatel. Produz excelentes vinhos brancos secos na França e de sobremesa como o Liqueur Muscat, na Austrália.

A riesling tem sua origem no Vale do Reno, na Alemanha. Seus terroirs mais famosos são na Alemanha, Alsácia (França), Áustria, Sérvia, Eslováquia, República Tcheca, na região norte da Itália, Austrália, Canadá e EUA. Tem aromas e sabores de limão, pêssego, banana, nectarina, flores, erva-doce e derivados de petróleo (gasolina, querosene, lubrificante e borracha).

Muitas pessoas cometem o erro clássico de harmonizar a sobremesa doce com vinhos secos, até com espumantes brut. A combinação não é recomendada porque de acordo com o modo que percebemos os sabores essa fórmula não funciona. Vamos explicar:

Quando comemos algo doce, adquire-se grande ênfase os componentes amargos e ácidos do vinho que bebemos em seguida e a doçura começa a se intensificar. Portanto, o doce torna-se cada vez mais doce e o vinho cada vez mais amargo e seco. Mas, se harmonizar o doce com um vinho de sobremesa – que também é doce – vai acontecer algo muito interessante: a sensação de doçura de ambos ficará menos intensa porque o paladar do doce não terá excessos e no vinho aparecerão os sabores suaves da fruta. Experimente!

Vinho branco seco combina com sobremesa leve, panna cotta, e o contrário é verdadeiro

Exame visual

A cor do vinho branco pode indicar informações importantes sobre se é mais jovem e leve ou mais amadurecido e complexo. Uma cor amarela palha, bem suave remete a um vinho delicado, fresco e na maioria das vezes jovem. Se o vinho tiver a coloração de amarelo palha mais intenso significa que o vinho é mais encorpado, rico, concentrado, portanto, um pouco menos jovem.

Se possuiu reflexos esverdeados e ramificação com cores brilhantes e vivas pode apostar que é um vinho branco bem jovem, pois pode lembrar a cor do citrino. Ao contrário, se a cor estiver mais âmbar, o vinho adquiriu muita concentração ao longo do tempo, está bem maturado e envelhecido, podendo ser até um passificado ou botrytizado.

A técnica de produção desse primeiro vinho é chamada de passificação e pode ser obtida pela conversão da uva em passas, no método natural ou artificial. Concentra o açúcar das uvas colhidas ao secá-las, como no caso do Recioto della Valpolicella e o Recioto di Soave.

No caso do segundo, as uvas são atacadas pelo fungo Botrytis usados na primeira ou segunda fermentação causando o processo de botrytização que produz vinhos doces ícones como o Château d’Yquem, Sauternes, de Bordeaux, na França e o Tokaji, da Hungria.

Um dos vinhos doces mais conhecidos, Château d’Yquem
Tokaji é um vinho doce bem renomado, considerado pelo rei Luís XIV como o “rei dos vinhos, vinho dos reis”
Um dos vinhos doces mais conhecidos, Château d’Yquem
Um dos vinhos doces mais conhecidos, Château d’Yquem

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